É para amanhã!

Como não me canso, e cansada digo, amanhã, aliás hoje tenho uma etapa para passar uma apresentação e um teste para o qual não estudei, digamos praticamente nada.
Com fé lá vou eu fazer aquilo que melhor sei fazer, ou seja, inventar.
A esta hora estava a ver o blog de uma amiga e não sei porque lembrei de uma das aulas de Yoga, que tive possibilidade de ir, estavamos nós a fazer o relaxamento e lembro me do instrutor dizer algo como isto '' pensem que estão dentro de um concha'', onde estão protegidos, enrolada na posição fetal, soltei umas lágrimas como se desejasse estar outra vez protegida por algo, uma concha, uma carapaça, algo... intocável mas com o carinho de quem está no útero da mãe de novo.
Isto não sei se será receio de enfrentar a realidade, ou simplesmente de ter alguém me faça sentir protegida, que me apoie... que me faça um mimo, que me dê um beijo, que me dê um abraço...não consigo explicar. Já não tenho idade para ter uma fragilidade de uma borboleta, mas muitas das vezes unicamente desejava estar dentro do meu casulo.
Mas por vezes tenho um medo que me que aperta e quase me esmaga o coração quando penso no meu futuro, o medo imenso que tenho da solidão, o medo que tenho que os meus amigos me esqueçam por alguma razão, que sigam outros rumos, que percam o contacto, não sei. Vejo o passar do tempo por vezes como algo de que não gosto, vejo toda a gente de que mais gosto a envelhecer rapidamente, a ficarem cansados e doentes, com o desgaste que o tempo e o excesso de trabalho lhes dá.
O somar de anos de vida ligadas ás lides da terra, que vinca o rosto, as mãos e o corpo. Marcando o corpo com cabelos brancos e rugas. Com receio que de repente tudo acabe! E parte do nosso eu desapareça para sempre.
Sinto-me perdida, vejo que as pessoas que conheci toda a minha vida foram fustigadas pelo passar dos tempos os quais roubaram a memória e a capacidade de reconhecer as pessoas, sendo a cada momento fintado pela propria memória, tenho receio que isso me aconteça, o cansaço psicologico que porto nestá longe de ser mensurável...

Comentários

Anônimo disse…
A uma cerejeira em flor

Acordar- ser na manhã de Abril
A brancura desta cerejeira,
Arder das folhas às raiz,
Dar versos ou florir desta maneira.

Abrir os braços, acolher nos ramos
O vento, a luz, ou o que quer que seja:
Sentir o tempo, fibra a fibra,
A tecer o coração de uma cereja.

Eugénio de Andrade
(Berinha)

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